Bases / Emmanuel



“Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo.” — (JOÃO, capítulo 13, versículo 8.)

É natural vejamos, antes de tudo, na resolução do Mestre, ao lavar os pés dos discípulos, uma demonstração sublime de humildade santificante.

Primeiramente, é justo examinarmos a interpretação intelectual, adiantando, porém, a análise mais profunda de seus atos divinos. É que, pela mensagem permanente do Evangelho, o Cristo continua lavando os pés de todos os seguidores sinceros de sua doutrina de amor e perdão.

O homem costuma viver desinteressado de todas as suas obrigações superiores, muitas vezes aplaudindo o crime e a inconsciência. Todavia, ao contacto de Jesus e de seus ensinamentos sublimes, sente que pisará sobre novas bases, enquanto que suas apreciações fundamentais da existência são muito diversas.

Alguém proporciona leveza aos seus pés espirituais para que marche de modo diferente nas sendas evolutivas.

Tudo se renova e a criatura compreende que não fora essa intervenção maravilhosa e não poderia participar do banquete da vida real.
Então, como o apóstolo de Cafarnaum, experimenta novas responsabilidades no caminho e, desejando corresponder à expectativa divina, roga a Jesus lhe lave, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça.

Modo de Fazer / Emmanuel

Modo de fazer
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que
houve também em Cristo Jesus.” – Paulo. (Filipenses,
2:5.)

Todos fazem alguma coisa na vida humana, mas raros não
voltam à carne para desfazer quanto fizeram.
Ainda mesmo a criatura ociosa, que passou o tempo entre a
inutilidade e a preguiça, é constrangida a tornar à luta, a fim de
desintegrar a rede de inércia que teceu ao redor de si mesma.
Somente constrói, sem necessidade de reparação ou corrigenda,
aquele que se inspira no padrão de Jesus para criar o bem.
Fazer algo em Cristo é fazer sempre o melhor para todos:
- sem expectativa de remuneração;
- sem exigências;
- sem mostrar-se;
- sem exibir superioridade;
- sem tributos de reconhecimento;
- sem perturbações.
Em todos os passos do Divino Mestre, vemo-lo na ação incessante,
em favor do indivíduo e da coletividade, sem prender-se.
Da carpintaria de Nazaré à cruz de Jerusalém, passa fazendo
o bem, sem outra paga além da alegria de estar executando a
Vontade do Pai.
Exalta o vintém da viúva e louva a fortuna de Zaqueu, com a
mesma serenidade.
Conversa amorosamente com algumas criancinhas e multiplica
o pão para milhares de pessoas, sem alterar-se.
Reergue Lázaro do sepulcro e caminha para o cárcere, com a
atenção centralizada nos Desígnios Celestes.
Não te esqueças de agir para a felicidade comum, na linha infinita
dos teus dias e das tuas horas. Todavia, para que a ilusão te
não imponha o fel do desencanto ou da soledade, ajuda a todos,
indistintamente, conservando, acima de tudo, a glória de ser útil,
“de modo que haja em nós o mesmo sentimento que vive em
Jesus-Cristo”.

Fonte Viva / Emmanuel / Francisco Cândido Xavier